sábado, 10 de novembro de 2012

Como se ama o calor e a luz querida




Como se ama o calor e a luz querida, 
A harmonia, o frescor, os sons, os céus, 
Silêncio, e cores, e perfume, e vida, 
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:

Assim eu te amo, assim; mais do que podem 
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale 
Cantar a voz do trovador cansada: 
O que é belo, o que é justo, santo e grande 
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro, 
Por quanto já sofri, por quanto ainda 
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo. 
O que espero, cobiço, almejo, ou temo 
De ti, só de ti pende: oh! nunca saibas 
Com quanto amor eu te amo, e de que fonte 
Tão terna, quanto amarga o vou nutrindo! 
Esta oculta paixão, que mal suspeitas, 
Que não vês, não supões, nem te eu revelo, 
Só pode no silêncio achar consolo, 
Na dor aumento, intérprete nas lágrimas

(Gonçalves Dias)

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